CADÊ O INQUÉRITO???????
Lendo o post de Franciele, me identifiquei. Realmente, tem horas, e não são poucas, que a gente tem vontade de surtar porque tudo isso que está acontecendo é uma afronta à inteligência alheia. Mas, Franciele, acredite, você faz parte de uma minoria, porque a maioria das pessoas, e algumas bem esclarecidas, acredita, piamente, nessa historinha toda. É como eu já disse, nós, aqui, temos que unir e cantar: “Não me convidaram pra essa festa pobre, que os homens armaram pra me convencer…”, e irmos, todos, em fila indiana, a caminho de um bom sanatório, porque, sinceramente, eu já duvido da capacidade mental das pessoas de modo geral, então nós é que devemos ser loucos.
Franciele falou das 123 razões, mas esqueceu de um detalhe: cada um de nós, tem, pelo menos, mais cinco razões particulares para acrescentar àquelas lá de cima. E a cada mentira que fazem a gente engolir, sem ajuda nem de uma Skol, pra descer redondo, a gente vai vendo o resto do povo feliz e contente, tão conformado. Sério, a cada vez que eu entro no site do MJ Beats, fico estarrecida: com todo o respeito, mas como é que aquele monte de fãs, sérios, pessoas que sempre dedicaram a Michael Jackson uma grande parte de seu tempo, que têm por ele um carinho imenso, acreditam, por exemplo, que o fake da Conferência de Londres é ele mesmo? E isso é só um exemplo…
O que vou falar, agora, não é novidade pra ninguém: é sobre o inquérito do caso da morte de Michael. Pessoal, sério, esqueçam esse assunto. Não esperem resultado, porque se tiver, eu serei a pessoa mais surpresa do mundo (se tiver um resultado sério, evidentemente).
Vou dizer porque: postei, recentemente, o texto do blog do DPLA (que foi premiado com um plágio). Pois é, lá, a polícia de Los Angeles, simplesmente, diz o seguinte, em bom português: não perguntem nada, porque não diremos nada. Ora, mas é um dever da polícia prestar esclarecimentos a respeito de um inquérito que tem tanta repercussão. Como eu disse lá, não é uma questão de sigilo, porque todas as informações foram passadas para a imprensa (leia-se para os jornais previamente escolhidos para isso).
Vamos imaginar uma coisa: se, ao invés de morrer de acidente, Ayrton Senna, também ídolo mundial, tivesse morrido em situação suspeita, vocês imaginariam a família conformada, preocupada, somente, em ganhar dinheiro, a polícia em silêncio, médicos em silêncio? Claro que não. Veríamos, no mínimo, o seguinte: médicos dando declarações, a cada minuto, sobre o estado de saúde dele, durante o tempo de socorro e depois da declaração da morte (os médicos fazem isso até mesmo para se resguardar). Veríamos a polícia se empenhando na conclusão do inquérito e dando todas as entrevistas possíveis e imagináveis (como se não bastasse a repercussão internacional do caso, coisa a que a polícia é muito atenta, pois não quer ganhar a fama de incompetente, o inquérito seria o mais importante da vida dos policiais envolvidos). Veríamos, também, o médico que dissesse que aplicou, nele, uma injeção com substância simplesmente de comercialização proibida e que tivesse fugido logo após a morte, presíssimo.
Bem, para aqueles que pensam, ainda, que nos Estados Unidos, a Justiça é mais séria, tenho uma má notícia: não é não, pessoal, tem falhas, também. Mas, no fundo, toda a atuação de policiais e da Justiça, é igual no mundo inteiro. Só que a Justiça americana não é, sequer, estudada nas faculdades de direito do Brasil, sabem por que? Porque o Direito deles, com algumas poucas exceções fica muito, muito atrás do Direito de outros países, como, por exemplo, o da Alemanha.
Nos Estados Unidos, como aqui, a investigação do crime começa na polícia. Mas existe uma diferença básica: aqui, o sistema policial é independente e lá, todo o inquérito, desde o início, é acompanhado pelo Promotor de Justiça. Vejam, lá, o Promotor atua desde o início, então, presume-se que a denúncia será feita de forma mais rápida, que as provas serão colhidas com maior eficiência. Mas, no caso de Michael Jackson, desde o início da apuração, o inquérito é totalmente falho.
Primeiro, a busca que foi feita na casa dele, quatro dias depois da morte, quando a família já havia invadido a casa e de lá retirado o que quis (deixando, também, o que quis). Os policiais “encontraram” medicamentos, seringas, etc. Sabem qual o valor dessa busca, como prova de um processo? Adivinharam: nenhum, porque o local do crime já havia sido desfeito. Será que a polícia de Los Angeles não sabe disso?
A investigação foi feita, desde o início, pelo então, sub-chefe de polícia (atual chefe), Charlie Beck. Sabem qual foi uma das primeiras declarações que ele deu, nos primeiros dias? Que já havia conversado com Conrad Murray, que esperava que ele esclarecesse alguns pontos, mas que ele, Murray, NÃO ESTAVA SOB SUSPEITA. Sentiram? O policial encarregado das investigações, declara, desde o início, que a única pessoa presente no local quando a vítima morreu, de forma ainda não esclarecida, não era um suspeito. Ora, não é função da polícia, em lugar nenhum desse planeta, julgar. Essa tarefa é do Juiz, depois que um Promotor apresenta uma denúncia. Mas, como vimos, Charlie Beck, nas horas vagas, deve ser Juiz, também. Como, eu não sei.
Existe um tipo de prisão, chamada prisão preventiva, decretada, dentre outros casos, quando o suspeito tenta fugir. Murray, literalmente, sumiu, nos dias seguintes à morte. Foi preso? Nananinanão. Ah, é, esqueci, ele não era suspeito, segundo o investigador-juiz Beck.
A autópsia foi concluída e o que temos? Surpresa, o que matou Michael não foi o Propofol aplicado por Murray, foi a mistura de drogas que ele já tinha no organismo. Bem, depois de se arrastar a passos de tartaruga, finalmente, o inquérito foi concluído, com o resultado final da autópsia (diga-se, de passagem, bem diferente do resultado inicial). E aí, perguntam vocês? E aí, pergunto eu, também? Pela lógica, já deveríamos ter um processo criminal, com denúncia e tudo. Mas, cadê?
Não vi essa notícia na imprensa, e vasculhei absolutamente todos os sites e blogs oficiais dos quais me lembrei, tanto da polícia, quanto da Corte, quanto da Promotoria de Los Angeles. Pesquisei, pelo nome de Michael e encontrei anotações relacionadas a outros processos sem importância (de uma mulher maluca que invadiu Neverland, etc). Pesquisei em nome de Conrad Murray, e nada (ah, esqueci, ele não é suspeito). Sobre o processo da morte de Michael? Nadica de nada. Gente, o inquérito evaporou.
Vamos lembrar outras coisas? Qual a reação da família em relação a Conrad Murray? Houve um pequeno boato sobre um processo que a família iria mover contra ele, mas mudaram de idéia logo depois (me engana que eu gosto). Mais o que? Bem, Tito disse que o perdoa, Joe e Latoya acusam pessoas indefinidas de terem assassinado Michael, Latoya, depois, diz que Paris fala que seu pai foi morto pelas pessoas que o fizeram trabalhar demais.
Sabe o que aconteceria no meu exemplo do Ayrton Senna? A mãe dele iria rodar a Laís, oh, quer dizer, a baiana (rsrsrsrs). Iria a todas as autoridades, inclusive ao Presidente da República, para exigir uma atuação eficiente. Ou nem precisaria, porque todas as autoridades, prontamente, iriam se manifestar (depois de irem ao velório, evidentemente). Lógico, o mundo inteiro com as lunetas voltadas para cá, vamos dar a entender que somos ineficientes?
E lá? O que fez Katherine, depois de “perder” o filho? Cobrou alguma atitude de alguém? Não, ela estava muito ocupada com os netos, no shopping, em Las Vegas, comprando presentes, nos dias anteriores ao aniversário de Michael.
Olha só, pessoal, vamos pensar não duas, mas cinqüenta vezes, antes de dizer que o Brasil é uma droga, que a polícia daqui não vale nada, que a Justiça é uma porcaria e que nos Estados Unidos é tudo muito melhor e mais sério? Então, vamos, porque já é tempo. E vamos parar de esperar o resultado desse inquérito, porque a gente já sabe qual vai ser: o culpado foi Michael Jackson, e ponto. Seria trágico, se não fosse cômico.
Tony, desculpe, mesmo, o tamanho, não deu pra resumir.
Beijos a todos
Andréa
Comentários da hora